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Se este fosse o teu último dia na terra quais os valores pessoais que gostarias de deixar aos teus filhos?

 

Um dia colocaram-me a questão que escolhi como título deste artigo. E esta foi a minha resposta:

Se este fosse o meu último dia na terra, os 3 principais valores pessoais que gostaria de deixar à minha filha seriam paz interior, felicidade e fé.

A Paz Interior é, para mim, o valor mais importante que gostaria de passar à minha descendência. Talvez porque, no meu entendimento, quem tem paz interior tem tudo, inclusive felicidade e fé.

Viver em paz internamente é viver a vida ao máximo, é desfrutar do melhor que a nossa existência tem para nos dar, é gostarmos de nós e dos outros, é ser feliz com o que temos, é estarmos gratos pela nossa existência, é um sentimento de bem-estar inigualável e impagável. Este valor é, para mim, tão caro por tão raro que é.

A paz interior não é um sentimento que eu conheça muito bem e muito menos é uma sensação com a qual eu tenha crescido. É um conceito que me foi apresentado, já na idade adulta, e que eu tenho lutado por conquistar.

Ensinar a minha filha a viver com paz interior é um pensamento que me leva às lágrimas e uma força motriz imparável que comanda o meu ser na sua prossecução. Mas como se pode ensinar a uma criança o que é a paz interior e como a alcançar? Através do amor incondicional.

Quando amamos incondicionalmente os nossos filhos e o demonstramos em todos os nossos atos eles aprendem a amarem-se a eles próprios incondicionalmente. E é essa a base, a essência da paz interior.

A Felicidade é o segundo valor que gostaria de ver crescer no espírito da minha filha. Não a felicidade comprável ou resultante do sentimento de sermos melhor que os outros, de sermos mais bem-sucedidos.

Isso não é felicidade mas sim a sua ilusão e uma das maiores ratoeiras que o ser humano alguma vez criou para si próprio. A felicidade que eu quero que a minha filha experimente e aprenda a encontrar é a felicidade imaterial das pequenas coisas, dos pequenos prazeres da vida.

 

É a felicidade presente num pôr-do-sol, no sorriso de uma criança, nas traquinices de um cachorro, no beijo de uma mãe, no abraço protetor de um pai, no Natal em família. É a felicidade de saber quem é, de amar e sentir-se amada, de fazer dos seus prazeres o seu trabalho, de sentir que a sua simples existência contribui para a felicidade dos outros.

Mas como podemos transmitir este valor aos nossos filhos? Vivendo-o e deixando-o viver. As crianças quando nascem trazem em si este tipo de felicidade e é a adaptação ao mundo, às normas sociais, aos bons comportamentos que costuma afasta-las dela.

Vejamos uma criança pequena a interagir com o mundo, vejamos a sua expressão radiante quando vê uma flor pela primeira vez, quando é capaz de sentir o seu perfume, quando finalmente consegue realizar algo para ela difícil, quando se aninha nos braços da mãe. Ela conhece a felicidade das pequenas coisas.

O nosso papel é o de valorizar e respeitar esses momentos, aprender com ela a desfrutar dos nossos e orienta-la nas frustrações para que saiba que depois da tempestade vem sempre a bonança. E aqui chegamos ao meu terceiro valor nucleal.

A é, para mim, o terceiro valor mais importante que eu quero passar à minha filha. Não a fé como normalmente é entendida, de cariz religioso, que traduz a crença num Deus superior e na vida depois da morte.

Essa fé ela pode ter, se quiser, mas mesmo no meu último dia na terra não é essa a fé que eu quero que ela conheça e aprenda a valorizar. A fé que eu desejo que oriente a minha filha, que norteie a sua existência e faça deste mundo um lugar melhor é a fé em si mesma e nas suas capacidades, a fé nos outros, a fé no amanhã, a fé de que se se concentrar no momento presente pode sempre fazer do momento futuro um instante melhor.

E como é que se transmite essa fé aos nossos filhos? Vivendo-a. Experienciando-a em nós, neles, em todos e no mundo em geral. Mais uma vez acredito que este valor é inato ao ser humano e é a sua existência ou inexistência nos pais que o mantém ou elimina. Tenhamos fé e os nossos filhos serão pessoas de fé.

E tu? Se este fosse o teu último dia na terra, que valores pessoais gostarias de deixar aos teus filhos? Porquê? Como os vais implementar?

 

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