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Já sabes o que significa ter coragem? Descobre agora!

A verdadeira coragem é uma virtude porque exige um certo grau de amadurecimento, um nível de desenvolvimento emocional e cognitivo que nunca começa antes dos 6 anos e só termina depois dos 20 anos de idade.

 

Todos nós, em alguma altura da nossa vida se não várias, já desabafamos “quem me dera ter coragem de…”

Quem me dera ter coragem de mudar de emprego, despedir-me, ter outro filho, meter conversa com aquela pessoa, pedir um certo favor, etc. Mas o que é que realmente significa ter coragem?

A maior parte de nós já assistiu a alguém mudar completamente a sua existência, tomando decisões ousadas e arriscadas, e desejou ser capaz de sentir a mesma coragem. Mas como é sentir coragem?

Se alguma vez pensou que precisava ou desejava ser mais corajoso então deixe-me perguntar-lhe: o que lhe faltava?

Coragem? O que é realmente a coragem? Como é que é sentir-se corajoso?

Continue a ler se quer aprender o que é preciso para ousar ir mais longe.

Distinguindo a verdadeira coragem da falsa coragem

Gordon Neufeld afirma que ninguém alguma vez se sentiu corajoso. Se pensarmos bem nisso percebemos que é verdade.

Tente recordar um momento da sua vida em que lhe chamaram corajoso ou que foi marcado por um ato claro e inequívoco de coragem da sua parte.

Como foi sentir-se corajoso?

Nunca ninguém o soube explicar. Geralmente recebemos uma de duas respostas:

“Não senti nada. Apenas fiz o que tinha que ser feito” ou “o que eu senti foi medo”.

No primeiro caso o que se passou é que perante uma situação de vida ou morte, como uma catástrofe natural, o nosso cérebro apaga os todos os sentimentos e apenas nos move para a ação, que muitas vezes consiste em salvar não só a nossa vida mas também a de outros.

Somos depois chamados de heróis e todos premeiam a nossa coragem. Mas na realidade nós nunca nos sentimos corajosos. Apenas agimos sem pensar.

Isso não é coragem. Não desvalorizemos o ato, esse foi heroico sem qualquer margem para dúvidas. Mas o que nos moveu a fazê-lo não foi coragem mas sim uma ausência de sentimentos, uma defesa cerebral.

Neste caso a defesa é temporária e os sentimentos existiam antes e voltam novamente.

 

Mas há situações em que esta defesa é permanente e o indivíduo experimenta uma constante ausência de sentimentos, particularmente do medo. Isso torna-os destemidos e audazes. Incapazes de sentir o medo, atrevem-se a realizar atos extremamente arriscados e são capazes de manter o sangue frio em situações limite.

Isso não é coragem, é ausência de sentimentos. Quando alguém está defendido quanto ao sentir, como pode sentir coragem?

Analisemos agora a segunda resposta.

Quando um indivíduo responde “apenas senti medo” a própria afirmação diz tudo. Não houve qualquer sentimento de coragem.

Mas paradoxalmente é aqui que jaz a raiz da verdadeira coragem.

Porque a coragem não é um sentimento por si só mas sim a combinação de duas emoções opostas: o medo e o desejo.

Gordon Neufeld explica porque a coragem é considerada uma virtude: porque exige que sintamos medo e escolhamos avançar na mesma.

Este psicólogo canadiano costuma usar a metáfora do dragão e o tesouro para explicar o que é a verdadeira coragem: todos os tesouros são protegidos por um dragão e todos os dragões guardam um tesouro. Não há como obter o tesouro sem enfrentar o dragão e quando escolhemos defrontar o dragão somos geralmente premiados com o tesouro.

O dragão é o sentimento de medo que experimentamos perante a ideia de realizar algo, como despedirmo-nos ou convidarmos alguém para sair. O tesouro é a satisfação do desejo de realizar esse mesmo algo que nos entusiasma, como ter mais tempo para a família ou encontrar um emprego que nos faça mais felizes.

A coragem é a combinação dos dois, do medo e do desejo, e a escolha de correr atrás do que queremos independentemente do temor que isso nos causa.

Em suma, a verdadeira coragem é sentir medo perante a realização de algo que desejamos profundamente, mas escolher fazê-lo na mesma. Não a ausência do medo ou o simples ato impensado.

A verdadeira coragem é uma virtude porque exige um certo grau de amadurecimento, um nível de desenvolvimento emocional e cognitivo que nunca começa antes dos 6 anos e só termina depois dos 20 anos de idade.

E assim, a próxima vez que desejar ter a coragem de outra pessoa, lembre-se que o que realmente tem que almejar é experimentar o mesmo nível de medo e desejo, nenhum ignorando ou eliminando.

 

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