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Porque não tenho sucesso no meu trabalho?

 

Por vezes perguntava-me porque não tinha mais sucesso naquilo que fazia, pelo menos em termos monetários.

Era feliz a trabalhar com pais e verdadeiramente sentia que tinha muito para dar.

Por muito que me custe a admitir (pelo menos às partes perfecionista e auto agressiva que existem em mim) sou boa no que faço e faço-o com paixão.

Sempre fui uma apaixonada pelo estudo e mente humana e neste momento conjugo os dois. Descobri que sei escrever e até falar. Descobri que sou articulada e consigo ver para além do óbvio. Descobri que consigo trabalhar com outros seres humanos e facilitar as suas jornadas, as suas próprias descobertas, o encontrar das suas próprias respostas.

Vejo tirarem notas durante as minhas palestras. Sinto as pessoas surpreendidas, emocionadas, com vontade de mais quando me perco na partilha das minhas conclusões, da minha forma própria de entender e conjugar tudo aquilo que gasto dias a aprender, perceber, articular.

O que eu não percebia é porque me era tão difícil ganhar dinheiro com o que fazia.

Já me havia entregado ao complexo da superioridade e culpado a sociedade moderna apelidando-a de cega e imatura.

Já me havia entregado ao complexo da inferioridade e acreditado ter algum defeito que me impedisse de ter sucesso monetário.

Já havia tentado trabalhar com a ferida do dinheiro, com o que o dinheiro representa para mim, como me fazia sentir.

Já até questionara se o meu futuro não seria ser feliz mas pobre, aceitar que não podia ter tudo e agora que encontrara a felicidade tinha que largar mão da segurança financeira.

O que eu não estava à espera é do que surgiu numa sessão com a Leslie Potter, da consciência que ganhei num momento de perfeita clarividência.

Há muito, quase tantos anos como os que trabalho com ela, que a Leslie me sugere que a minha vulnerabilidade base é a rejeição. Ou seja, eu organizei toda a minha vida de forma a não me sentir rejeitada, abandonada, não importante.

Eu? Filha única e desejada? Eu? Princesa da casa a quem nunca faltou nada? Como podia eu carregar o medo da rejeição? Não, a Leslie estava errada.

Neste último ano tudo mudou. Aos bocadinhos, um pedaço de cada vez comecei a perceber que realmente me sentia rejeitada aqui e ali. O aqui e ali foi ficando cada vez mais frequente e passou a ser quase sempre.

 

Mas significava isso que eu era uma pessoa rejeitável? Como é que eu agia quando me sentia rejeitada? Como fugia eu desse sentimento tão desconfortável? Como podia eu trabalhar com ele (livrar-me dele, pedia a minha criança interior ainda crente no Pai Natal)?

Estava eu a brincar com todos estes pensamentos quando chegou a hora da minha sessão semanal com a Leslie, em grupo. Enquanto ela trabalhava com outra mãe só me lembro de levar as mãos à cabeça, incrédula com o pensamento que me tinha ocorrido, com o insight que havia adquirido. Com o que finalmente conseguia ver, embora estivesse sempre bem debaixo do meu nariz.

Eu sentia-me rejeitada pelo mundo, abandonada, não importante. Sentia-me uma alienígena, o último indivíduo de uma qualquer espécie em intinção. E tudo o que eu mais desejava era ser vista, amada, validada, escutada, aceite tal como sou. Mais, valorizada por assim ser, por simplesmente existir.

Mas atrever-me a receber tudo isso era extremamente vulnerável, porque implicava atrever-me a receber todos os opostos. Atrever-me a ser vulnerável implicava questionar os meus sentimentos de rejeição, falta de valor, falta de importância, solidão. Atrever-me a colocar cada um deles à prova.

Uau. Não era de admirar que o meu inconsciente me protegesse de tal, me escudasse a sentir tudo isso da melhor forma que sabia: organizando toda a minha vida de forma a eu nunca ter que o questionar.

E como é que nós nos esquecemos de questionar algo? Quando acreditamos piamente que tal é verdade absoluta, dogma inquestionável.

Ou seja, o meu inconsciente protegia-me de me sentir uma pessoa rejeitável, abandonável, não importante e desprovida de qualquer valor criando comportamentos em mim que confirmavam o dogma inquestionável. Neste caso sob a aparência de que eu não era digna de ganhar mais dinheiro.

Para eu verdadeiramente questionar o meu sucesso financeiro precisava de questionar a minha vulnerabilidade base: Sou uma pessoa com valor no mundo ou sou item rejeitável?

Concluindo, a nível prático eu não fazia nada para ganhar mais do que ganhava pois a nível emocional a minha ferida da rejeição mantinha-me prisioneira de padrões de comportamentos destinados ao insucesso.

Só quando fui capaz de separar o prático do emocional, de acolher a minha ferida e oferecer à minha menina interior todo o amor e validação que o exterior não lhe deu nem tem mais a função de dar, consegui quebrar o padrão de agir como uma pessoa rejeitável.

Mas é uma prática, uma disciplina. Continuo a sentir-me rejeitada mil vezes por dia. Mas há um pequenino espaço entre sentir e acreditar ser. E é aí, nesse tempo tão minúsculo e grandioso que reside todo um universo de liberdade e possibilidades, todo um mundo de sonhos passíveis de se tornarem realidade.

É um trabalho difícil, mas muito, muito compensador. E não só a nível monetário!

 

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