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Os relacionamentos matam-nos e os relacionamentos renascem-nos

 

Cheguei à idade adulta sem crescer, ainda criança. Não sou a única e nem sequer estou em minoria. Não é culpa de ninguém, é apenas o resultado de um contexto social, económico e cultural excessivamente agressivo.

Quando o mundo é demasiado violento todas as nossas energias se concentram na defesa. Não crescemos, não há impulso para amadurecer. Todo o nosso cérebro é raptado pela necessidade premente de sobreviver, e a falta de desenvolvimento emocional é o preço a pagar, a sua perda um simples dano colateral.

Mas agora cresço, agora desenvolvo-me, agora caminho para ser adulta. Porquê? Porque encontrei um lugar seguro onde o fazer.

O impulso do desenvolvimento emocional está sempre lá, adormecido mas potencialmente presente. Tal como uma planta que parece morta mas recupera perante uma mudança de cuidados.

O impulso do desenvolvimento só morre quando nós morremos. Todas as nossas células anseiam pelo equilíbrio emocional, e ao menor sinal de água florescem como uma flor do deserto.

Mas que água é essa que nos ajuda a amadurecer? E porque é tão difícil encontrá-la?

Porque só crescemos quando nos sentimos seguros. E só nos sentimos seguros quando alguém nos proporciona essa experiência.

Mas que segurança é esta e porque é tão difícil de encontrar? Porque quando não a conhecemos a nível celular é difícil entender o conceito e proporcioná-la a alguém. E há muitas gerações que perdemos o seu conhecimento.

Mas eu tive a sorte de o reencontrar. E escrevo porque estou a tentar percebê-lo, a tentar entendê-lo, a tentar integrá-lo a nível molecular.

Eu encontrei o meu porto seguro num grupo online. Lá posso ser eu sem medo de exposição excessiva ou julgamento. Lá posso ser eu sem sentir que sou demais. Lá posso ser eu sem me preocupar com a preocupação dos outros, sem que me tentem modificar, sem que me tentem curar, sem que alguém fique obcecado com o meu futuro e com as lições que eu preciso de aprender. Lá posso ser eu, só eu, quem sou no presente. Lá posso ser eu sem pensar em ser diferente.

 

E lá, finalmente, encontrei o meu impulso para crescer. Lá, finalmente, pude deixar cair minhas defesas, uma a uma, camada a camada, e, com tempo, ao meu ritmo, começar a explorar.

E enquanto tento perceber o que há de tão diferente com este grupo, e enquanto tento entender o dom que me foi dado, deparo-me com uma questão: é isto de que precisam os nossos filhos?

Se eu só fui capaz de crescer neste contexto então é isto que eu devo oferecer à minha filha? Mas isto é totalmente diferente do que sempre entendi como responsabilidade materna ou arte de bem educar.

É isto? É simplesmente isto?

Leslie Potter, tu que criaste um grupo tão especial, tu que nos apresentaste, juntaste, criaste raízes de segurança para confiarmos em nós e asas de independência para escolhermos os nossos caminhos, responde-me:

É este o exemplo de relacionamento que cura e nos permite florescer?

Dizem que o segredo da saúde emocional está nos relacionamentos que experienciamos na nossa vida. Só os relacionamentos têm o poder de nos magoar, tornar pequenos, afastar da nossa essência. E, igualmente, só os relacionamentos possuem a capacidade de nos curar, renascer, recriar.

Mas poderá realmente ser assim tão simples? Tão descomplicado?

Eu sei a resposta querida Leslie, mas tu já me conheces, a minha mente gosta de um bom drama e de enredos elaborados. E está a sentir-se sem lugar.

A todas as minhas companheiras de armas, a todas aquelas que me aceitam tal como sou, dentro e fora desse grupo, muito, mesmo muito Obrigada.

 

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