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Venha descobrir porque somos prisioneiros das Redes Sociais

Precisamos de amor, reconhecimento, valorização e validação. Há primeira vista as redes sociais parecem oferecer tudo isso de bandeja. Parecem até quebrar fronteiras físicas e proporcionar conforto nas horas de escuridão, nas horas tardias da noite, quando os demónios visitam e não há ninguém presente para os aplacar.

 

Se há algo que as redes sociais me mostram é o quanto vivemos sozinhos.

Como seria viver realmente em comunidade? Como seria viver numa família alargada? Num grupo onde não existem apenas nomes que tentam dar-se a conhecer, partilhar o que lhes vai na alma ou uma mascara que os faça sentir mais aceites?

Se há algo que as redes sociais me mostram é o quanto vivemos sozinhos. E o quanto perseguimos o sentimento de pertença sem nunca o verdadeiramente alcançar.

Todos queremos ser importantes para alguém. Todos queremos pertencer a algo, um grupo de amigos, uma família, uma comunidade. É uma necessidade antiga, tão antiga como a humanidade.

Somos seres sociais, seres que precisam de calor humano como de ar para viver.

Quantos o encontramos verdadeiramente?

Somos seres que precisam de outros seres para se sentirem vivos, para prosperar, até mesmo para sobreviver. Precisamos de contacto, de troca de sentimentos, de afeto, de carinho.

Precisamos de amor, reconhecimento, valorização e validação.

Há primeira vista as redes sociais parecem oferecer tudo isso de bandeja. Parecem até quebrar fronteiras físicas e proporcionar conforto nas horas de escuridão, nas horas tardias da noite, quando os demónios visitam e não há ninguém presente para os aplacar.

E é esse o seu grande feitiço, a sua enorme ilusão. Parecem-nos dar o que mais precisamos, a comida e bebida imaterial e essencial ao ser humano. Mas não passam de uma cenoura na ponta de um pau. E nós o cavalo que corre atrás, sem nunca a conseguir alcançar.

A prisão das Redes sociais: o eterno debate entre Skinner e Carl Rogers

Não me entendam mal. Eu gosto das redes sociais. Acredito vivamente que elas melhoram a nossa vida e estão repletas de vantagens. Têm um papel positivo a desempenhar.

Mas não no campo relacional, não nas feridas da alma, nas dores do coração.

O debate já é antigo, bem mais antigo que o advento da internet: Todos temos necessidade de ser importantes e de pertencer a alguém. É esta necessidade uma prisão ou fonte de liberdade?

 

B. F. Skinner e Carl Rogers, dois importantes psicólogos do século passado, debateram-no bem, assumindo posições antagónicas.

Ambos concordavam que as necessidades expostas acima são básicas à condição humana.

Para Skinner seriamos para sempre prisioneiros delas. Como tal, mais valia usá-las a nosso favor na criação dos nossos filhos e na moldagem dos seres humanos. É o pensamento Behaviorista.

Rogers acreditava que através do amor e aceitação incondicionais nos poderíamos livrar da sua escravatura e descobrir o nosso verdadeiro eu. É a base da psicoterapia centrada no cliente.

Na minha interpretação do seu debate, depreendo que Skinner acreditava que a felicidade é sempre condicional e dependente de uma conquista por atos realizados. A felicidade é só vivida no momento em que o cavalo alcança a cenoura. No instante em que a come, saboreando ou não. Para logo de seguida empreender nova corrida, nova procura por outra cenoura, prisioneiro de quem detém o pau na mão. E uma vida vivida assim é tudo o que poderíamos almejar.

Rogers atrevia-se a ir mais longe, a ser de certa forma mais positivo, mais inconformista, mais crente no potencial da felicidade sem paus com cenouras. Segundo o que entendo da sua teoria, a felicidade podia ser incondicional se em algum momento o cavalo recebesse cenouras sem reservas nem condicionalismos, com possibilidade de comer todas as que quisesse. Até perceber que mesmo que algum dia faltassem cenouras no mundo, haviam de aparecer mais ou outros alimentos estariam disponíveis. Nesse momento, saciado da fome, seria livre para perseguir o pau ou não. Na liberdade de escolha reside a felicidade verdadeira.

Se substituirmos a cenoura pelas necessidades de pertença, importância, amor, talvez seja mais fácil perceber a divergência de opiniões.

Skinner acreditava que viver é apenas encontrar saciação fugaz desta fome essencial à condição humana.

Rogers acreditava que se um dia experimentássemos a sua abundância, sentido no âmago do nosso ser o poder de sermos amados e aceites incondicionalmente, de sermos verdadeiramente importantes para alguém só porque existimos, de pertencer a um grupo ou família sem hipótese de exclusão, então estaríamos para sempre livres da fome, da escravatura da sua constante procura.

Eu creio em Rogers. Eu acredito na liberdade. Só não me parece que, em momento algum, a possamos encontrar nas redes sociais.

Se há algo que as redes sociais me mostram é o quanto vivemos sozinhos.

Quanto mais procuramos as redes sociais é porque mais esfomeados estamos. Por instantes no tempo obtemos um gosto, uma partilha, um comentário, uma migalha de pão. Tomamos-lhe o gosto e corremos atrás de mais. Mas nunca chega, nunca é suficiente. Somos para sempre prisioneiros do seu condicionalismo.

 

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