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O que é Ansiedade? E, afinal, de onde vem? Descubra agora!

A ansiedade pode manifestar-se por diversas formas, que incluem fobias, obsessões, compulsões, pânico e uma multitude de comportamentos complexos de procura e/ou fuga. É por isso importante conhecer bem as origens da ansiedade para assim podermos travar a epidemia e diminuir o sofrimento, nosso e daqueles a quem mais amamos.

 

Aparentemente as nossas crianças estão a tornar-se mais ansiosas. Fala-se mesmo na existência de uma epidemia deste distúrbio entre os jovens do século XXI.

Diversos estudos reportam a alarmante realidade de que 1 em cada 5 a 8 menores apresenta as características requeridas para um diagnóstico de ansiedade infantil, transformando esta na diagnose mais comum entre as crianças de hoje.

A ansiedade pode manifestar-se por diversas formas, que incluem fobias, obsessões, compulsões, pânico e uma multitude de comportamentos complexos de procura e/ou fuga.

Os pais deixaram de acreditar que são a resposta para os seus filhos e recorrem cada vez mais a especialistas em saúde mental em busca de ajuda.

A maioria das vezes também eles sentindo-se dominados, incapacitados e até derrotados por estados de ansiedade que não percebem nem conseguem eliminar.

O peito aperta-se, o coração bate mais forte, as náuseas marcam presença e parece que vão sufocar. A ansiedade dos filhos provoca ansiedade nos pais, muitos deles já anteriormente fortes conhecedores dos desconfortos e impedimentos de tal distúrbio.

Mas de onde vem toda esta ansiedade? É genética? É um ciclo vicioso, uma bola de neve que se alimenta conforme rola?

É importante responder a estas questões, conhecer bem as origens da ansiedade para assim podermos travar a epidemia e diminuir o sofrimento, nosso e daqueles a quem mais amamos.

O que é ansiedade? A importância de compreender as raízes

Gordon Neufeld, no seu curso “Making Sense of Anxiety”, começa logo por afirmar que não podemos resolver um problema que não compreendemos.

O que tem sobressaído e sido sujeito a tratamento são os sintomas da ansiedade e não a raíz do problema. Daí o insucesso da medicação ansiolítica e muitas outras formas de terapia.

Dessa forma, a questão fulcral continua a ser: O que é ansiedade?

Após analisar o que foi escrito pelas diversas mentes brilhantes que se dedicaram a este tema ao longo dos últimos séculos e conjugando esse conhecimento com as mais atuais e surpreendentes descobertas da neurociência, Gordon Neufeld apresenta-nos uma resposta:

A ansiedade é uma sensação vaga de insegurança e desconforto, caracterizada por apreensão e inquietação. É um estado emocional. E é uma experiência pessoal e subjetiva de um sistema de alarme ativado.

Mas o que é o sistema de alarme?

O sistema de alarme é a parte do nosso sistema nervoso encarregue de nos manter vivos e em segurança, de nos alertar para o perigo e desencadear as respetivas ações necessárias à nossa proteção.

Este sistema está maioritariamente localizado no cérebro emocional. A parte pensante do nosso sistema nervoso não possui um papel principal no que ao manter-nos protegidos diz respeito. Afinal se surgir uma cobra no caminho e pararmos para confirmarmos se é mesmo um réptil ou um simples pau, já estaríamos ferrados aquando da conclusão.

 

Daí que a ansiedade não seja facilmente controlada pelo poder do pensamento.

Gordon Neufeld sugere que substitua-mos no nosso vocabulário ansiedade por alarme.

Se começarmos a falar em alarme em vez de ansiedade perdemos a conotação negativa associada à primeira e adquirimos uma melhor compreensão da dinâmica e ramificações da segunda, como a existência de falsos alarmes (ansiedades irracionais).

Também nos permite colocar a questão fulcral: O que é que mais alarma um ser humano?

E responder-lhe instintivamente: A separação daqueles a quem mais amamos.

Agora realizemos o exercício inverso. Substituamos alarme por ansiedade e voltemos a olhar para a questão colocada acima.

Ao perguntarmos “O que é que mais alarma um ser humano?” estamos a questionar “O que é que mais causa ansiedade?”

A separação daqueles a quem mais amamos!

Não estão a ver a relação? Deixem-me aprofundar um pouco mais.

Quando nascemos somos seres completamente indefesos e dependentes dos nossos cuidadores para comer, beber, ter abrigo, aquecimento, enfim, para simplesmente sobreviver. Um bebé sem um protetor é um infante condenado a morrer.

A nossa necessidade primária é o estabelecimento de vínculos, ainda mais básica que comer e beber, pois só através dos primeiros obtemos a satisfação dos segundos.

Então o que mais alarma uma criança (a origem da ansiedade) é a separação dos seus vínculos.

Agora adicionemos só mais uma informação: a partir dos 4 anos de vida (3 no caso de um infante precoce) a criança ganha a noção do que é a morte e do poder que esta tem de a separar dos seus pais ou outros principais cuidadores.

É o início da ansiedade existencial, que acompanhará todos nós para o resto da vida. E é disto que nos fala Bruce Tift na análise que faz a este tópico no seu livro “Already Free”.

Se a esta ansiedade existencial juntarmos a perda efetiva dos progenitores ou outras figuras de apego, situações de divórcio, abandono ou simples técnicas de educar os filhos através de medidas que utilizem o medo da separação como forma de conseguimos o bom comportamento, percebemos porque a ansiedade (alarme) faz parte integrante do ser humano.

E porque uns sofremos mais dela do que outros.

 

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