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Entenda o que é a perda da integração na Adolescência

Aparentemente, de acordo com a teoria Neufeld, até à idade escolar as crianças agem de acordo com o que sentem, sem fuga possível. Depois, por volta dos 6/8 anos, a criança começa a integrar e a ser capaz de separar sentimentos e comportamento.

 

O Dr. Gordon Neufeld descreve a adolescência como uma ponte entre a infância e a idade adulta.

Para este prestigiado psicólogo do desenvolvimento, a adolescência não é um estado de desenvolvimento fixo, mas sim uma constante oscilação entre o ser criança e o ser adulto.

Isto explica porque muitos adolescentes apresentam comportamentos maduros num dado momento, enchendo os pais de orgulho e satisfação, para logo no momento seguinte agirem como se fossem pré-escolares e assustarem de morte os seus progenitores com a sua imaturidade.

A verdade é que a adolescência é mesmo assim. Um conjunto de comportamentos aparentemente incoerentes e muitas vezes até contraditórios de maturidade e imaturidade.

É uma ponte entre a infância e a idade adulta, que o adolescente atravessa várias vezes ao dia, para um lado e para outro, descansando, por vezes, na margem adulta, e noutras parecendo não ser capaz de sair do lado infantil. Mas uma ponte, uma simples ponte entre o que um dia foi e o que um dia será, mas neste momento não é exclusivamente nada.

Paralelamente, o adolescente tende a agir conforme sente. Como diz Leslie Potter “os sentimentos determinam os comportamentos” e isso não acontece só na infância.

 

A importância da integração na Adolescência

Aparentemente, de acordo com a teoria Neufeld, até à idade escolar as crianças agem de acordo com o que sentem, sem fuga possível. Depois, por volta dos 6/8 anos, mais tarde se tivermos perante uma criança intensa ou altamente sensível, se o desenvolvimento emocional e psicológico da criança estiver a ocorrer normalmente, esta começa a integrar e a ser capaz de separar sentimentos e comportamento.

Uma criança integra quando é capaz de experimentar pensamentos, sentimentos, perceções ou impulsos discordantes em simultâneo. O cérebro começa a ser capaz de temperar o que experienciamos em cada momento.

No livro Pais Ocupados Filhos Distantes, Gordon Neufeld afirma que “à medida que amadurecemos, o nosso cérebro vai desenvolvendo a capacidade de misturar as coisas, de ter perceções, pensamentos, sentimentos e impulsos diferentes, tudo ao mesmo tempo, sem se tornar confuso no pensamento, nem paralisado na ação.”

Mas esta integração é, de certa forma, temporária. O pré-adolescente começa a perder uma boa parte da sua capacidade de integração, e o adolescente, tal como o pré-escolar, age de acordo com o que sente.

A integração pode voltar com o evoluir da adolescência e a entrada na idade adulta. Pode, não quer dizer que volte necessariamente.

Um dos grandes problemas que os adultos de hoje enfrentam em que continuam a resistir aos rituais de passagem da adolescência. E com isso ficam presos nela. Muitos para sempre, até que a morte os separe.

 

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