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Conheça a melhor dica para atingir a felicidade paternal e maternal: a prática do Lugar Seguro

 

No mundo da Parentalidade Consciente é habitual encontrar mães e pais que desesperam por sentirem verdadeira felicidade ao criarem os seus filhos.

O maior impedimento que eles encontram na felicidade paternal e maternal é não serem capazes de se controlarem em momentos de grande intensidade emocional.

“O problema é que quando me salta a tampa perco todo o controlo e dou por mim a gritar, ameaçar ou bater nos meus filhos. Tudo o que sempre havia jurado não fazer. E depois vem a culpa, o arrependimento, a vergonha profunda. Prometo a mim mesma que nunca mais vou ser assim, nunca mais me vou comportar desse modo. E antes do fim do dia lá estou eu a fazer exatamente o mesmo. Não sei como parar. Não percebo o que há de errado comigo. Não me sinto feliz como pai/mãe”.

Se alguma vez deu por si a sentir o que partilho em cima então saiba que não está sozinho. A sua solução para quebrar este ciclo vicioso, ser o Pai que sempre desejou ser e sentir-se feliz como tal, pode muito bem ser a minha: a prática do Lugar Seguro de Leslie Potter.

A prática do Lugar Seguro, criada por Leslie Potter, tem ajudado centenas de pais por todo o mundo a ultrapassar este obstáculo com que muitos lutam uma vida toda. E o seu fundamento é tão simples quanto profundo: se queremos dar aos nossos filhos o que nunca tivemos, precisamos de o dar primeiro a nós próprios. O Lugar Seguro é o local, físico e emocional, onde o colocaremos em prática.

Aprenda a prática do Lugar Seguro e descubra a felicidade paternal/maternal que sempre procurou

Mas o que é a prática do Lugar Seguro?

É um exercício de maturação de nós mesmos, de criação das partes de nós que ainda estão presas num estado infantil. E, com tudo isso, é um poderoso portal para nos transformarmos no Porto Seguro dos nossos filhos e encontrarmos a felicidade paternal/maternal.

Quando a Leslie explica a prática do Lugar Seguro usa uma analogia simples e extremamente elucidativa:

A prática do Lugar Seguro é como o jogo do apanha (ou pilha, como se dizia na minha terra) em que existe uma base segura (casa segura).

No jogo do apanha os meninos fogem daquele que tem a função de apanhar os outros, correndo sem parar e deveras divertidos.

De repente estão prestes a ser apanhados, a um palmo de serem tocados e passarem a ser eles os apanhadores.

É então que os mais novos ou estreantes no jogo perdem o controlo, atirando-se ao chão numa birra descomunal, queixando-se de dores de barriga, batendo naquele que acaba de os apanhar ou simplesmente recusando-se a continuar a jogar.

Ser apanhados é demasiado alarmante para o seu ainda imaturo desenvolvimento emocional. Numa fração de segundo passam de sentir diversão extrema para a sensação que o mundo vai acabar. E reagem de acordo.

Intuitivamente criamos no jogo a base ou casa segura. Um lugar para onde as crianças podem ir, em pleno jogo, e onde podem fazer uma pausa e simplesmente observar.

Na casa segura estão protegidos de ser apanhados. Estão seguros. Mas ficar lá muito tempo não é lá muito divertido. Para poderem voltar à diversão e correr sem parar é necessário voltar ao jogo e, consequentemente, a enfrentar a possibilidade de serem apanhados.

Com o tempo todas as crianças acabam por passar cada vez menos tempo na casa segura. Eventualmente até deixam de para lá ir, divertindo-se quer a fugir de quem apanha quer a ser o apanhador.

 

Assim é a parentalidade. Vamos criando os nossos filhos com prazer até que algo nos assusta (sentimos que estamos prestes a ser apanhados).

Por exemplo, tudo está a correr bem na nossa jornada como pais até que os nossos filhos se recusam a comer a refeição saudável que preparamos ou a desligar os videojogos quando pedimos. Ou, então, não fazem o que mandamos, respondem-nos torto, choram inconsolavelmente, não aceitam um não ou presenteiam-nos com uma birra descomunal.

Embora no momento sintamos que o comportamento dos nossos filhos é o problema e que precisamos de o corrigir com a máxima urgência, o que se passa é que acabamos de ter um disparo emocional, de sentir que vamos ser apanhados, que o mundo vai acabar.

Leslie Potter sugere que, a não ser que haja perigo de vida imediato (o que raramente acontece) realizemos nestes momentos a escolha consciente de nos dirigirmos até ao nosso Lugar Seguro (casa segura).

Este é um lugar, escolhido no meio da ação (e não na divisão ao lado) onde nos vamos sentar com os sentimentos que estão a ser disparados no momento pelo comportamento dos nossos filhos.

Este é um lugar onde vamos oferecer a nós mesmos a dádiva da pausa e escolher interagir com o que está a ser disparado em nós em vez de simplesmente reagir e retaliar ao comportamento dos nossos filhos.

Com o tempo, tal como as crianças no jogo do apanha, desenvolvemos a capacidade de ficar com o quer que surja sem que isso nos tire do sério e faça perder o controlo.

Com o tempo precisamos cada vez menos de correr até à casa segura (Lugar Seguro) e começamos até a sentir prazer em interagir com os nossos filhos em momentos de grande desregulação emocional, por mais feio que seja o seu comportamento. Porque a arte de criar um filho é particularmente importante e valiosa nesses mesmos momentos.

As crianças precisam de se sentir vistas, escutadas, compreendidas e amadas pelos pais. Mas em nenhuma altura elas o precisam tanto como nos momentos em que perdem o controlo.

Sejamos o Porto Seguro dos nossos filhos, a casa segura para onde eles podem correr quando emocionalmente desregulados.

Para tal só temos que aprender a oferecê-lo a nós também.

Confuso? Com dúvidas? Desconfiado?

Percebo, também eu já o senti no passado. A minha resistência ao trabalho da Leslie Potter era imensa. Mas o meu desespero como mãe também. Por isso lembro-me de pensar: que tenho eu a perder se simplesmente experimentar esta prática estranha?

Nada, foi a resposta.

Esqueci-me de perguntar o que tinha a ganhar.

Hoje a resposta é óbvia e sinto-o todos os dias: verdadeira felicidade parental!

 

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