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O que fazer quando o desespero é grande?

 

Recentemente colocaram-me uma pergunta: “O que fazer quando o desespero é grande e não parece haver saída? Será que há alguma hipótese de algum dia me livrar desta dor e sofrimento? É que eu sinto que estou a sufocar cada vez mais e a perder o rumo por completo. Sinto-me completamente sozinha!”

Foi exatamente assim que vivi o primeiro ano e meio de vida da minha filha. Sentia-me desesperada, sempre, a cada minuto, a cada momento. E por muito que procurasse não encontrava saída. Pedia ajuda e parecia que era muda ou falava uma língua inventada. Ninguém me entendia, ninguém me auxiliava, nem sequer o psiquiatra que consultara. Sentia-me sozinha, prestes a desfalecer a cada instante e desejando muitas vezes que isso acontecesse, para ver se pelo menos assim alguém me via. Sentia-me completamente invisível e prestes a enlouquecer.

Pouco depois de me colocarem tal pergunta tive a oportunidade de ver o filme documentário “Princesa Diana: na primeira pessoa. Recomendo-o a qualquer indivíduo que se encontre na mesma situação.

Durante a maior parte desta película o que mais me impressionou foi as semelhanças de desespero, apesar das enormes diferenças de contexto. E penso que é mesmo assim, todo o desespero é igual na sua dor e sofrimento, sejam quais forem as circunstâncias.

E depois vem a pergunta incontornável: “Diana, em que momento passou de vítima a vencedora?”

Já não me lembro bem da resposta, não foi o contexto específico que me chamou a atenção, mas sim o apontar do que realmente é a solução: passar de vítima a vencedora!

Sim, é possível vencer o desespero. Sim, é possível encontrar a felicidade sejam quais forem as nossas circunstâncias. Sim, é possível experienciar uma existência diferente. Mas para que isso aconteça é necessário compreender um ponto muito importante: é fundamental abandonar o papel de vítimas e assumir o papel de vencedores.

Mas deixem-me explicar melhor, pois tal afirmação pode causar bastante confusão. Se fosse eu o leitor certamente que estaria a pensar “Ora essa, isso era o que me faltava. Mal me aguento a sobreviver e agora vou ter que me tornar um conquistador!”. Calma, há aqui subtilezas que precisam de ser bem esclarecidas e compreendidas.

 

O desespero surque quando nos sentimos impotentes perante as nossas circunstâncias atuais. E foi assim que Diana se sentiu uma vez princesa, presa nas responsabilidades e exigência do seu novo papel, sem tempo para se adaptar e sem apoio ou orientação. E foi assim que ela se continuou a sentir durante os vários anos que se seguiram: atacada, traída, incompreendida, criticada e perante uma exigência de comportamento e postura que não lhe era possível ter.

Mas um dia tudo mudou. Porque um dia ela decidiu tomar as rédeas da vida que era sua por direito e que só ela sabia como deveria ser vivida. Um dia ela decidiu parar de fugir das circunstâncias da sua existência e assumi-las como responsabilidade sua. Se a vida lhe tinha dado limões ela ia fazer limonada. Mas à sua maneira e sem mais ninguém na cozinha.

O que é que isto quer dizer? Que a impotência que sentimos na nossa vida é apenas uma ilusão, um sentimento resultante de condicionalismos de criança. Quando tivemos que ser precocemente independentes, quando nunca nos sentimos verdadeiramente apoiados, quando sempre vivemos no perigo de não temos um real protetor, então chegamos há idade adulta com uma necessidade por preencher: a necessidade de alguém que nos proteja e oriente. E assim entregamos o nosso poder aos outros, entregamos-lhes a chave da nossa felicidade. E isto é a sua morte. Ninguém tem a capacidade de nos fazer felizes, só nós próprios. E foi isso que Diana percebeu.

Mas o que eu mais gostei na história da princesa do povo é que ela assumiu a responsabilidade da sua vida sem nenhuma rutura radical com o que era o seu presente. Ela não se divorciou (só o fez bem mais tarde), não abandonou os seus deveres de princesa nem desistiu de qualquer sonho. Não que nada disto fosse errado, não, apenas porque salienta que é possível tudo mudar por dentro sem quase nada alterar por fora.

Ela parou para perguntar a si própria “O que queres fazer? O que queres da tua vida?” e “Como o podes fazer sem esperar que os outros mudem?”. E isto, sim, é assumir a responsabilidade da nossa vida e da nossa felicidade. Os outros são os outros e tentar mudá-los para que a nossa vida se torne mais fácil pode parecer a solução lógica. Mas é uma das maiores armadilhas com que alguma vez nos deparamos. Já não somos crianças, já não dependemos de ninguém, podemos fazer o que quisermos. Sim, o que quisermos, até abandonar os filhos. Se é bom ou mau não é aqui a questão, o que está em cima da mesa é que É A NOSSA ESCOLHA e no fim do dia ninguém nos pode obrigar a escolher diferente se assim não quisermos.

E foi essa mentalização que fez Diana passar de vítima a vencedora. E foi essa mentalização que me libertou do desespero.

 

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